Em 11/01/2009 foi feito público um Manifesto de ruptura de ex-militantes do PCO no Rio do Grande do Sul, os quais tiveram suas vozes caladas não pelos representantes "democráticos" do regime político burguês, uma fachada para tentar escamotear a ditadura e o tacão de ferro do capital, mas pelos próprios dirigentes do "partido" que haviam se corrompido e se bandeadoroc de mala e cuia para as hostes do lulismo, da aristocracia operária, da burocracia sindical, enfim, como quiserem:
"Está nascendo o Comitê Gaúcho Em Defesa da Coordenação pela Refundação da Quarta Internacional.
Somos um grupo de trabalhadores e estudantes ex-militantes e ex-simpatizantes do Partido da Causa Operária - PCO, e rompemos com este partido, em primeiro lugar, pelo abandono do princípio elementar do marxismo do nosso tempo, o trotskismo. Já estava escrito nas páginas do Manifesto Comunista redigido por Marx e Engels, em 1848, a máxima: "Trabalhadores do mundo inteiro. Uni-vos!" O internacionalismo proletário para os dirigentes desse partido só existe em palavras, em declarações, pois viraram as costas para o mesmo como se fosse uma mercadoria descartável, uma moeda de troca, que se pode usar conforme as suas conveniências, os seus interesses particulares, de casta, em oposição aos interesses da revolução mundial do proletariado.
Em segundo lugar, os dirigentes desse partido, depois de terem entregue e alugado a sigla do mesmo, desde 1996, quando da sua primeira participação nas eleições, depois de terem constituído chapa em sindicatos com a Frente Popular, como em Brasília e Minas Gerais, ou tentado constituir chapa com a direita da categoria para destruir o sindicato dos professores universitários, ANDES-SN, e escondido esses fatos da sua própria militância, em 2008 acionaram a mesma Justiça Eleitoral que é utilizada contra o conjunto da classe trabalhadora nas urnas, através de fraudes, manipulações, uso e abuso do poder econômico por aqueles que detêm o monopólio do regime político, etc. para cassar a liberdade de expressão dos seus próprios militantes e simpatizantes nas eleições municipais, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Essa medida equivale a colocar a polícia nos trabalhadores em uma greve para calar qualquer tipo de manifestação. Essas são as ações dos "terríveis" dirigentes revolucionários do PCO! E o que é pior, a emenda é pior do que o soneto, com o argumento de que a inscrição das candidaturas constituiriam-se em oportunismo eleitoral, já que nesse estado o partido não teria uma base política, por conta e responsabilidade dos seus únicos militantes. Para uma direção que entregou a sigla do partido para vigaristas de todos os matizes, do PFL ao PMDB de Itamar (em Minas Gerais), falar em oportunismo eleitoral é falar de si mesmo, basta somente olhar-se no espelho. E falar em base política, para poder registrar uma candidatura no cartório eleitoral, é falar a mesma linguagem da burguesia e dos partidos pequeno-burgueses, que inscrevem seus candidatos e constituem suas alianças políticas de acordo com a chamada "densidade eleitoral". O critério de base política para essa direção é o mesmo da Direção Nacional do PT. Aliás, a direção do PCO filiou-se ao bazismo lulista, que controla a maioria dos aparatos sindicais do País. Só que o PCO, que controla meia dúzia de sindicatos, concentrados na sua maioria em uma única categoria, não possui base nenhuma e controla esses pequenos aparatos através de manobras artificiais, sem nenhuma penetração real. Ou seja, é um bazismo sem base.
No Rio de Janeiro, lançaram uma candidatura enxertada para prefeito daquela cidade e não obtiveram sequer 1000 votos! Esse é o basismo sem base!
Engels, em carta escrita a seu amigo Sorge, na América, em 29 de novembro de 1886, explica: "O primeiro grande passo a ser dado em todos os países que tenham recentemente entrado em movimento é a constituição dos operários em partido político independente, não importando como, mas bastando somente que ele seja um partido operário distinto. Esse passo foi dado antes do que esperávamos, e isso é o mais importante. Que o primeiro programa desse partido seja confuso e dos mais incompletos, isto é um inconveniente inevitável, mas, no entanto, passageiro. As massas devem ter tempo e oportunidade de se desenvolver, e esta oportunidade elas terão no momento em que possuírem um movimento próprio, onde serão impulsionadas pelos seus próprios erros, tornando-se sábias às suas próprias custas."
Marx, em seu Informe da Autoridade Central à Liga Comunista, em abril de 1850, assinala: "... Mesmo onde não haja nenhuma possibilidade de serem eleitos, é necessário que os operários apresentem seus próprios candidatos, a fim de conservar sua independência, avaliar suas forças e mostrar ao público sua posição revolucionária e o ponto de vista de seu partido."
Portanto, a ideia burguesa do bazismo pcozista é totalmente estranha ao marxismo, que na verdade foi utilizada como um artifício pela direção do PCO, para defender nas eleições e em todos os terrenos de luta da classe operária, não os interesses do proletariado, mas seus interesses particulares, que entraram em crise.
Em relação à sua "base" política, que caiu na letargia da obediência, sem ter chance alguma de questionar tal política, George Orwell em sua crítica implacável ao stalinismo é um ilustrativo sem par: "Calados e aterrados, os animais voltaram furtivamente para dentro do celeiro. Logo chegaram os cachorros, latindo. A princípio, ninguém pôde imaginar de onde tinham vindo aquelas criaturas, mas o mistério logo se aclarou: eram os cachorrinhos que Napoleão havia tomado às mães e criado secretamente. Embora ainda não tivessem completado o crescimento, já eram cães enormes, mal-encarados como lobos. Permaneceram junto a Napoleão, e notou-se que sacudiam a cauda para ele da mesma maneira como os outros cachorros outrora faziam para Jones."
Com o rabinho entre as pernas, a "base" do PCO caminha atrás de seus dirigentes para uma verdadeira liquidação de um partido operário revolucionário, que tenha como centro da sua atuação a construção do partido mundial da revolução proletária, diante da bancarrota completa do capitalismo.
Como foi assinalado em uma Plenária Nacional pelo companheiro Guilherme Giordano, em 2006: '... o capitalismo está desabando, basta um sopro do proletariado'."
domingo, 11 de janeiro de 2009
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Está tão frágil assim o Capitalismo ?
ResponderExcluirOu a esquerda toda fragmentada pelo próprio capitalismo?
ass: William T Rodriguez.
No Programa de Transição, escrito em 1935, Trótsky já assinalava que as condições objetivas para a revolução não somente estavam amadurecidas, como já estavam a ponto de apodrecerem, e estavam em contradição com a condição subjetiva, ou seja, a direção do proletariado, a sua expressão consciente, a vanguarda revolucionária. A crise da humanidade reside, como foi escrito no Programa de Transiçao na direção do proletariado.
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